sábado, 8 de novembro de 2008

Do quotidiano para reflectir: Modos de ver (2)

[...] Porque é que os miúdos abandonam a escola? È porque a escola não os agarra, porque o ensino é elitista. Nós devíamos perguntar a nós próprios porque é que a escola pública não dá resposta aos miúdos? Porque o miúdo que sai fora do normal, pronto é uma complicação, já ninguém consegue trabalhar com os miúdos porque só estão habituados a trabalhar com miúdos sem sobressaltos. Porque miúdos com problemas e com famílias destruturadas a escola já não dá resposta, porque? Porque é Elitista, na minha óptica os professores só conseguem ou querem trabalhar quando os miúdos não são uma complicação, quando os miúdos não são isto ou aquilo. [...] Tivemos alguns professores que se disponibilizaram a trabalhar, são os meus professores, que não dizem mal, porque as pessoas entraram de alma aberta, porque querem e porque o objectivo da escola pública é esse, não é? São pessoas que estão ali a trabalhar empenhadamente. Eu tenho os meus Directores de Curso, as pessoas não trabalham das 8 às 10 horas, trabalham todos os dias em horário completo das 8 às 17 ou 18 horas, quando estão em casa e há problemas, as pessoas vêm há escola, isso não é para todos como é evidente. Quando há um problema, “olha aconteceu isto ou aquilo ao teu menino”, eles são os meninos, cada Director tem os seus meninos ou meninas, e daí a um bocado o Director de Curso está aí a tentar resolver o problema, isto requer muito trabalho, muito esforço e a escola não está habituada a isso.”

Extractos de uma entrevista concedida pela Presidência do Conselho Executivo da Escola Secundária de [...], in Gonçalves, Paulo et al (2008), O novo Regime de Autonomia, Administração e Gestão das Escolas, in Laboratório de Planeamento, Lisboa, Iscte.

PS: omitimos o nome das escolas propositadamente, pois não é nosso propósito qualquer tomada de posição face ao conflito existente, entre o Ministério da Educação e os Docentes do Ensino Secundário.

2 comentários:

Anónimo disse...

A entrevista da presidência da escola, tem toda a razão. Infelizmente há muitas escolas deste pais que não funcionam devidamente devido aos maus professores que lá estão e que os conselhos não conseguem mandar embora. A avaliação é um modo de separar o trigo do joio. Plenamente de acordo com a ministra.
José Armando

Gisele S. Cunha disse...

Interessante notar que aqui, do outro lado do oceano, no Brasil, o problema se repete. A escola pública aqui também não consegue oferecer soluções para alunos com "problemas", ou melhor dizer, alunos fora dos padrões; os professores são mal preparados e a maioria está totalmente desorientada. As políticas de educação, isto é, avaliação, curriculo, etc, não são eficientes. Enfim, um caos.