sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Queijo embolorado

Ninguém tem dúvidas em concordar que a actual sociedade assenta num conjunto de valores, tais como, diversão, individualismo e consumismo, três valores essenciais na sociedade actual, mas que, como nunca, são em tudo opostos para quem tem de lidar eficazmente com a necessidade de mudança de vida que se perspectiva.
Lembrei-me então de Spencer Johnson (2001), autor de um daqueles livros de aspecto insignificante, com um titulo que não lembra ao diabo, mas que nunca como hoje poderá ser um trunfo.
O dito, versa uma fábula simples, mas criativa, sobre o quotidiano de quatro pequenas personagens, que buscam um novo “Queijo”, dois ratinhos: Fungadela e Correria e, dois pequenos humanos: Pigarro e Gaguinho, os quais tendem a representar as características humanas, sejam elas simples ou complexas, independentemente da idade, sexo, etnia ou nacionalidade.
Entenda-se por “Queijo” toda a estrutura da nossa vida familiar ou profissional, e que no actual contexto está a sofrer enormes mexidas, levando a que cada um tente lidar com essa mutação do modo mais eficaz possível.
Lentamente, no contexto neo-liberal globalizado, o bolor foi aparecendo no nosso Velho Queijo, mas não reparámos, não o quisemos admitir ou não quisemos ver o que estava a acontecer.
No actual labirinto que se nos depara, várias soluções se nos afiguram.
Agirmos como Fungadela e Correria usando o método de tentativa-e-erro, isto é, percorrendo caminhos e se estes se revelarem infrutíferos, voltando ao ponto de partida e procurar novos caminhos.
Como Pigarro que com as suas convicções e emoções humanas a toldar-lhe a forma como encara as coisas as torna mais complicadas, pois não só resiste como recusa a mudança. Ou como Gaguinho que aprende a adaptar-se e com o tempo perspectiva que a mudança o pode conduzir a algo melhor?
Gaguinho talvez seja o melhor exemplo. Liberto do velho “Queijo”, já demasiado decrépito, opta por mudar para não ser extinto, ou seja, conclui que é mais seguro procurar no labirinto do que permanecer numa situação em que mais cedo ou mais tarde acabará por ficar sem “Queijo”.
Em suma, perante a mudança, o termos o nosso “Queijo”, mesmo que diferente, traz-nos felicidade. O imaginarmo-nos a provar o novo “Queijo”, mesmo antes de o encontrar, levar-nos-á até ele.

1 comentário:

Jore Santos disse...

Uma realidade inquestionavel. Globalização para cá, globalização para lá, tanta conversa, mas a realidade é que as classes baixas só apanham com o lado mau da dita, e o melhor é mesmo procurar-mos novos caminhos. Gostei. Parabens.