terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Os nossos “Grammy’s” para 2008









O ano de 2008 está no seu final.
Como nem tudo tem que ser igual, em vez de procurarmos fazer, como geralmente acontece nesta época do ano um pouco por todo o mundo, a habitual “Revista de Ano: Principais acontecimentos nacionais e internacionais”, optámos por criar uma espécie de “Grammy’s”.
Estes prémios não são destinados a acontecimentos em si, mas a situações específicas, presentes e futuras, quer nacionais quer internacionais e que merecem, na nossa óptica, alguma reflexividade.

O “Grammy Pedra Filosofal” destina-se à esperança de mudança no futuro.
O “Grammy O-Rei-Vai-Nu” é destinado aos falhanços do presente.
O “Grammy Quimera”, por sua vez, destina-se aos absurdos e incongruências.


Amanhã, último dia de 2008, apresentaremos os grandes ganhadores.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

" Teus Olhos Negros, Tua Tez Morena "

Fascina-me a brancura da açucena
as flores alvas são as mais bonitas
mas me atraem com forças infinitas
teus olhos negros, tua tez morena.

Como as flores, também, casta e serena,
aos desejos de amar, por certo, incitas,
porém só vejo, em ânsias vãs, aflitas,
teus olhos negros, tua tez morena.

Arrastaria tudo, humildemente
(a alma, livre da angústia que a condena),
para ter-te afinal sempre presente,

e se adorar-te fosse a minha pena,
amaria em silêncio, eternamente,
teus olhos negros... tua tez morena.

( Poema de JG de Araujo Jorge extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"
Vol. IV - 1ª edição 1965)

Engajar os sentidos

Meios de comunicação visuais (como a fotografia) podem permitir-nos, representar aspectos de experiências de povos comuns e experiências humanas que não são acessíveis em textos escritos, e deste modo, as imagens têm de ser entendidas como o seu elemento visual, significativamente em relação a um jogo cheio de categorias sensoriais e culturalmente específicas. E deste modo, a observação pode abrir-se directamente para as vidas dos seus sujeitos, ser capaz de revelar, compreensivelmente, povos comuns que intuitivamente vivem e fazem significações em contextos culturais diferentes. A fotografia pode, também, revelar o incompreensível, ou seja, aqueles visíveis das vidas de outras pessoas e experiências que não podemos entender sem um pouco de conhecimento, de contextualização acerca de como as significações são feitas e vividas pela acção social naquele contexto cultural específico, ou seja, são um meio de fazer com que esses modos sejam compreensíveis a outros.
Podem, igualmente, desempenhar um papel, chave, no destaque de inconsistências nas próprias culturas.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Quebrar o gelo?

Gaza

Parafraseando Peter Philipp, correspondente do Deutsche Welle e especialista em assuntos do Médio Oriente «Como sempre, sofre quem não merece. Não os ideólogos, nem os que atiram mísseis, mas em primeiro lugar a população civil, mulheres, crianças e idosos. Mais uma vez, serão eles os que mais sofrerão. Pois bombas não podem discernir.»

Consumismo: A realidade do facto

Nós, os sociólogos, às vezes somos considerados uns grandes “chatos”. Porquê? Porque, em linguagem simplificada: não acreditamos em opiniões; não levamos muito a sério, os noticiários e o que eles nos querem fazer crer; não acreditamos em quase nada que seja do senso comum. Ou seja, porque acreditamos em factos sociais, devidamente comprovados por dados e, no que eles nos “dizem”, principalmente se poderem ser comparados com outros factos sociais.
Vem isto a propósito da actual situação de crise e dos inúmeros “estudos” e "artigos de opinião", feitos e publicados em Portugal, nestes últimos meses.
Eis alguns exemplos: as famílias portuguesas vão moderar as suas compras este ano, estimando-se uma quebra de 4,8 por cento face aos gastos efectuados no ano transacto; os portugueses andam muito poupados e não embarcam na corrida às compras de Natal; a actual situação de crise, marcada por uma forte incerteza quanto ao futuro, está a deixar os portugueses mais prudentes nas suas decisões de consumo; crise e incerteza afectam Natal dos portugueses; compra-se menos, compra-se mais barato e começa-se a comprar mais tarde. Vários estudos o comprovam bem como a voz dos comerciantes, a viverem dias de expectativa; as pessoas passeiam-se mas não efectuam compras; etc., etc.
Dois dias volvidos, sobre o Natal, os dados vem desmistificar e por em causa tudo o que foi dito e escrito ao longo dos últimos meses e, dar-nos a realidade dos factos.
Segundo dados actualizados esta sexta-feira (ontem), pela Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS): «O total dos levantamentos e das compras pagas com multibanco superou os 4,2 mil milhões de euros (mais 1 por cento do que em igual período de 2007), entre os dias 1 e 25 de Dezembro (até às 20h00). Este montante equivale a cada português ter gasto 428 euros, ou seja, um salário mínimo. O número de vezes que o cartão foi usado (em levantamentos e compras) foi na ordem dos 79 milhões, mais 4% do que ano passado, o que vem confirmar que os portugueses fizeram neste Natal muito mais compras».
Convém contudo sublinhar que, segundo a SIBS, estes dados, ainda, não incluem os gastos efectuados com cartões de crédito. Pois... Pois...
Qual é então o facto?
Apesar de toda a ladainha e o rol de lamurias, os gastos de natal não foram afectados pela crise financeira actual. O consumismo prevaleceu ou então, os publicitários estão de parabéns.
E, depois nós é que somos uns “chatos”.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

The day after

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Arqueologia: Tumbas descobertas no Egipto

Se existe cultura que continua a fascinar é a Egípcia.
Deleitem-se aqui com as imagens da mais recente descoberta feita no complexo funerário de Saqara, que foi a necrópole de Menfis, situada cerca de 30 quilómetros ao sul do Cairo.
Tratam-se de duas tumbas, do reinado do rei Unas, o último da V dinastia, com pelo menos cerca de quatro mil anos.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Post Scriptum

Amanhã é noite de natal.
Quando chegar a hora da ceia natalícia e, posteriormente, da distribuição de presentes, a “nossa visão”, proveniente da “nossa cultura ocidental” de matriz judaico-cristã, vai encher-nos de “certezas absolutas” quanto à crise financeira, à perca do nível de vida e poder de compra que se vive no Ocidente.
Vamos, olhar e pensar que a mesa não está suficientemente farta.
Vamos olhar, a abertura dos presentes, e pensar que não presenteámos os entes queridos e amigos, com o que gostaríamos.
Muitos de nós, absortos em tais pensamentos, certamente que iremos derramar algumas lágrimas.
Entretanto, e durante o tempo em que divagaremos por tais pensamentos, algures no mundo e a cada 3,5 segundos, um ser humano morrerá de fome.
Ou seja, durante a nossa ocidental noite de natal, seja ela com mesa mais ou menos farta, com melhores ou piores presentes, milhares de seres humanos morrerão de fome no mundo, porque sempre viveram abaixo do limiar da pobreza e sempre desconheceram o que era nível de vida ou poder de compra.

Feliz Natal


Caros Amigos e Amigas, desejamos-vos, um Natal Feliz na companhia de familiares e amigos.
Este blog, tal como nós, não seria o que é, se não fossem as vossas visitas.
São vocês, amigos e amigas, que nos fazem trilhar os caminhos necessários para tentarmos ser, a cada dia que passa, melhores no que pensamos e no que aqui expomos.
O nosso sincero Obrigado.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Caviar & Champagne

O natal é, infelizmente por vezes, uma época de alguns exotismos. Um dos exemplos desse exotismo vem de Itália.
“O caviar será o prato principal no tradicional almoço de Natal dos mais pobres em Milão, norte da Itália” (Corriere della Sera).
Os autores de tão “original e brilhante” ideia, enfatizaram que foi decidido: «dar um presente de Natal a todos os que não podem comprar caviar». Ou seja, a iguaria será servida aos utentes dos diversos asilos de idosos e outros centros de trabalho de beneficiencia de Milão, no tradicional almoço de natal.
Serão cerca de 40 quilos de caviar beluga, originário de Varsóvia, proveniente do contrabando e avaliado em 400 mil euros… Sim! Leu bem… 400 mil euros.
Sendo intenção dos seus autores, que os mais desfavorecidos possam também provar esta luxuosa iguaria , desconhece-se contudo, se a mesma será servida a perceito, ou seja, acompanhada pelo prestigiado Champagne.
Acrescente-se, ainda, que igreja italiana, também por vezes “original e brilhante” em algumas tomadas de posição, já abençoou esta iniciativa, através do sacerdote Virginio Colmegna responsável pela Casa de Caridade de Milão.

Fonte: Corriere della Sera de 21.12.2008

A Blogosfera

A internet e, no caso especifico, a blogosfera são um meio e/ou rede social no qual nos podemos apresentar, num sistema, digamos, de “auto-edição” e sem intermediários. No entanto existem sempre alguns que tendem a distorcer os padrões de relacionamento deste espaço. A arrogância leva-os a serem detentores de convicções e vertigens acumuladas nos sótãos de alguma “intelegentsia” apaixonada confessa de lugares e detentoras de curriculum, que acomete algumas cabecinhas pensadoras, de acharem que adquiriram por usucapião o direito natural de serem “únicos”.
A desilusão torna-se, no entanto, maior quando, em alguns casos, se trata de pessoas ligados à educação, teoricamente inteligentes e com um elevado grau de escolaridade.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Eu: Códices e Rascunhos

Apesar dos meus 46 anos de idade, da versatilidade e adaptabilidade às mutações constantes da vida, quer pessoal, quer profissional, sei hoje que ao longo dos anos nunca deixei de ter e sentir, sempre e apenas, a curiosidade que está latente num estudante.
Sinto que talvez tenha perdido demasiado tempo e anos em actividades “supérfluas”, como por exemplo: os doze anos como empresário, independentemente do relativo sucesso, mas que nada trouxeram de novo á minha existência, pois não era o consumismo e a acumulação de riqueza que procurava, mas a tentativa, que sempre se mostrou infrutífera, do apaziguar de uma insatisfação continuamente presente, pois a interrogação permanente e a reflexividade, eram e, continuam a ser, o fim.
Foi o que, hoje, considero a minha “idade das trevas”, pois apenas o "iluminismo" da leitura, por um lado e a procura de novos desafios, por outro lado, me apaziguavam. Não considero que exista, no entanto, nada de trágico nessa suposta perca de tempo.
A busca pela acumulação de novos e contínuos saberes, o ser apelidado pejorativamente de “intelectual” por amigos e conhecidos, o ter a noção de que, existia e existe em mim, tempo e curiosidades suficientes, fez-me retornar aos bancos de escola em 2003.
Entretanto licenciado, tenho contudo noção de que estou a trilhar caminhos, que não serão certamente, lineares, mas cheios de obstáculos para o crescimento do meu“eu”, sobretudo num contexto de não pertença de grupos, que vivam fechados em universos de crenças e credos, por um lado, ou o não ser discípulo e/ou devoto de determinada doutrina (s), a cujas consciências, impõem-se princípios, tais como: utilitarismo, segurança, conforto e status, por outro lado (parafraseando Machado Pais).
A recusa de actuar, unicamente, restringido às limitações de um qualquer quadro teórico,(não quero com isto dizer que, nas ciências sociais como é o caso, não se deva partir de um quadro teórico de partida, mas se o quadro teórico de partida for usado de um modo rígido e teimoso, ele acaba apenas por captar as realidades que nele se podem encaixar, impossibilitando as respostas a dilemas e interrogações concretas), poderão classificar-me como relativista, ou até mesmo, demasiado liberal.
Creio no entanto que os tempos mudaram e encontram-se em constante mutação. O conhecimento, tende lentamente a não ser limitado, exclusivamente, a quadros teóricos. Penso que, cada vez mais, deverá ser feito a partir da “bisbilhotice” e do questionamento, numa viagem que nada despreze. Ou seja, numa viagem que de um modo algo obstinado, miúdo e por vezes até, picuinhas diferencie o que é demonstração, do que é descobrimento.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Ciganos: Os sinto e rom


Seis décadas após o final da Segunda Guerra, os sinto e rom (grupos nómadas e vulgarmente designados por ciganos) receberão um memorial como sinal de lembrança e de consternação por este grupo de vítimas, do nazismo, esquecido durante tão longo tempo.
Junto ao Reichstag, o prédio do Parlamento alemão, e à vista do Portão de Brandemburgo, será construído o memorial, no qual constará uma placa com a epígrafe: "Recordamos todos os rom que tombaram vítimas do genocídio planeado, na Europa ocupada pelos nacional-socialistas".
O memorial será constituído por uma fonte, em cuja borda se poderá ler um fragmento da poesia Auschwitz, do músico italiano Santino Spinelli:

faces encovadas
olhos apagados
lábios frios
silêncio
um coração arrancado
sem palavras
nenhuma lágrima

Deputados faltosos não entram? (Coreia do Sul)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Barack Obama: Para reflectir

«Na nossa casa, a Bíblia, o Alcorão e o Bhagavad Gita (texto religioso hindu), ficavam lado a lado na prateleira…» Barack Obama, o primeiro afro-americano a ser eleito presidente dos Estados Unidos da América, oriundo de uma família multiétnica.

Angola: Uma princesa na Ibéria

Isabel dos Santos, filha do presidente Marxista de Angola (país que se situa no lugar 162, em 179, da lista de países ordenada pelo Índice de Desenvolvimento Humano, incluída no Relatório de Desenvolvimento Humano 2008/2009 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), é segundo quem com ela convive e negoceia, "uma boa empresária", "extremamente dinâmica e inteligente", "profissional" e, apesar de ser uma "dura negociante", é "correcta", além de "afável", "simpática" e... "bonita".
Depois do Grupo Espírito Santo, PT, Américo Amorim, agora o BPI.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Ainda, a “luta” dos professores

“Estudo da FNE revela que cerca de 75 por cento dos professores mudavam de profissão se tivessem alternativa e 81 por cento admitem que, se pudessem, pediam a aposentação, mesmo com penalizações. Estes dados, segundo noticia a Lusa, resultam de um inquérito a mais de mil docentes que será apresentado esta quinta-feira”.
Embora habituado a alguns resultados surpreendentes em inquéritos deste género (em cima dos acontecimentos e com os sentimentos à flor da pele) não queremos e recusamo-nos até, a acreditar que estes inquiridos sejam verdadeiramente representativos da categoria profissional.
De outro modo, todos nós seremos obrigados a concordar com opiniões como: « […] É aqui que surge o problema: os professores rejeitam avaliações. Claro que não é isso que dizem, mas é isso que se intui do que fazem. É curioso, aliás, como eles são contra tudo o que mexe e logo a seguir fazem greve. Foi assim em 2005, já não me recordo porquê; foi assim em 2006, porque não gostavam dos horários; é assim em 2008, porque a avaliação é uma chatice. Birrinhas corporativas: no fundo, eles não querem perder privilégios. E nós? Vamos querer que eles não queiram?» (Daniel Amaral, in Diário Económico de 18/12/2008).

Zimbabwe: Cólera termina por decreto presidencial

Politiquices

Sempre tive alguma curiosidade sobre qual era a sensação de se ser político e qual o seu dia-a-dia.
Acho que ontem foi um desses dias.
Tal como a maioria deles, também eu, não tive ideias… e nada foi postado aqui no blog.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

MBA (Master Business Administration)

Bush e os Sapatos

Veja aqui o video
«Este é um beijo de adeus do povo iraquiano, cachorro», gritou Muntazer al-Zaidi, lançando contra o presidente americano os sapatos.
O até agora pouco conhecido repórter xiita, da TV Al-Baghdadiya, continuou a gritar, «você é o responsável pela morte de milhares de iraquianos», enquanto era retirado à força pelos serviços de segurança iraquianos e americanos.
Na cultura árabe, o ser apontado como cachorro é um dos insultos mais graves. O uso dos sapatos, como “instrumento de agressão”, por sua vez, simboliza o desprezo por algo ou alguém.
Em 2003, por exemplo, os iraquianos atacaram a pontapé a estátua de Saddam Hussein, assim como com o mesmo simbolismo, assistimos em manifestações mais radicais, ao pontapear e/ou ao espezinhar de símbolos ocidentais.

domingo, 14 de dezembro de 2008

"Uma cultura pode morrer de sede ao isolar-se"

O poeta, ensaísta e escritor alemão Hans-Magnus Enzensberger, durante um encontro intitulado “Diálogo Cultural Teuto-Árabe”, endereçou algumas alfinetadas à Europa pela sua arrogância, ao reclamar para si «os direitos autorais sobre o Esclarecimento».
Numa entrevista que pode ler aqui na íntegra, sublinha a relevância do intercâmbio entre as culturas e lembra a civilização muçulmano-judaico-cristã na Andaluzia do passado como exemplo de convivência pacífica.
Relembra, ainda, que pensadores como Dante, Nicolau de Cusa, Giordano Bruno e Espinosa criaram as suas obras graças aos seus mestres islâmicos, da mesma forma que a astronomia moderna, a lógica, a óptica, a matemática, a medicina e também a poesia se desenvolveram, em grande parte, graças à herança destes mestres.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Pálido Ponto Azul

Veja aqui o video: Pálido Ponto Azul
Somos diariamente bombardeados pela crise financeira e económica. É crise para cá, é crise para lá… enfim parece que não há vida para além da crise. Parece até, que é a actual crise que põe em causa o futuro da humanidade e não o processo de modernização que vivemos.
A crise é-nos vendida como sendo mundial. No entanto, as notícias mostram-nos sempre os mesmos protagonistas a tentarem arranjar soluções para a dita. Ou seja, os líderes mundiais dos grandes “blocos económicos e de determinada doutrina económica”.
Senão vejamos, os protagonistas para a resolução da crise mundial, são sempre e sem excepção, os líderes norte-americanos, os líderes da UE, os líderes do G8 e os líderes das economias emergentes (Índia, China, Brasil). Em suma, os líderes de sociedades onde imperam, embora em graus diferentes, o consumismo e o imediatismo.
Estamos a falar de cerca de 1500 milhões de pessoas (para este numero contabilizamos somente cerca de 200 milhões de chineses de classe média), ou seja, ¼ da humanidade, porque os outros ¾ vivem desde sempre em permanente “crise financeira e económica”.
Ainda, até há pouco tempo e durante a recente escalada do preço do petróleo, de nenhum líder ou opinião pública destas sociedades, se ouviu uma palavra sobre as consequências benéficas para as economias e/ou populações dos países exportadores de petróleo (países aliás, estranhamente subdesenvolvidos na sua esmagadora maioria), mas alarmantes e estarrecedores queixumes sobre eventuais alterações nos níveis de vida e no desenvolvimento das “suas sociedades”.
Também não se ouviu e, não se ouve, uma palavra, sobre as consequências sociais e ambientais, ou seja, sobre as consequências para a população mundial, para a biodiversidade e para o ambiente, caso as soluções energéticas passem unicamente pelo “Boom” da utilização dos chamados Biocombustíveis.
Ricos como por exemplo: a mais que provável destruição maciça das florestas para a criação de novas áreas agrícolas; o risco de erradicação de espécies; o possível aparecimento de novos parasitas; o esgotamento das capacidades dos solos; o impacto dos adubos e dos pesticidas utilizados, nos lençóis de água subterrânea (1/3 da água doce existente no planeta); a subida nos preços dos alimentos, ocasionada pelo aumento da demanda de matéria-prima para a produção de Biocombustíveis (e as consequências alimentares nos países pobres); etc., não são focados, o que importa é a manutenção do consumismo e do imediatismo.
Vivemos numa era em que se algumas populações sentem directamente os problemas ambientais e os riscos da modernidade, outras, a maioria, são alheias, pois o seu quotidiano não as leva a ter a percepção dos problemas e riscos ambientais existentes ou futuros, uma parte pela natureza desses problemas, e outra parte pela abstracção dos mesmos.
O desenvolvimento traduz-se num conjunto de perigos com que a humanidade nunca se confrontou antes, isto é, por um lado, detêm particularidades específicas e únicas, por outro lado, ninguém consegue escapar ao risco presente nas sociedades modernas.
Ou seja, os próprios causadores dos malefícios não podem ou conseguem escapar às consequências provocadas pelos seus actos, pois o actual processo de modernização, não deixa de provocar um efeito boomerang, originado pela dificuldade que as sociedades têm de controlar a pressão a que se auto-impõem.
Algumas sociedades ao se organizarem, exclusivamente, numa lógica da distribuição da riqueza, como actualmente acontece, esquecem a lógica da distribuição dos riscos.
Talvez seja chegada a hora, com a actual crise financeira e económica, de os principais líderes mundiais fazerem um melhor uso dos pacotes financeiros que diariamente criam para a manutenção do consumismo e do imediatismo.
Ou seja, partindo dos elevados níveis de segurança que podem ser proporcionados por uma globalização séria, é chegada a hora de transformar a actual modernidade (radicalizada, sujeita por um lado à degradação ou a um desastre ecológico global, e por outro, a ameaças permanentes, como sejam, guerras de pequena escala, mas localizadas ou, ainda, um possível colapso da economia global), e arranjar soluções para os problemas e consequentemente a redução de riscos, fomentando uma alteração dos estilos de vida, onde a sociedade se organizaria e realizar-se-ia em torno de objectivos, que não sejam apenas, o da produção de riqueza, mas também o da sustentabilidade da humanidade e do planeta.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Medina Carreira: "Portugal é um país de papagaios"

Veja aqui a entrevista do fiscalista Medina Carreira ao programa "Negócios da Semana" do passado dia 11 de Dezembro.
Cerca de 50 minutos de pertinencias, humor “corrosivo” e “dedo na ferida”.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Noites de Boémia

Música suave, um doce pós lúdio
em luzes pálidas do sol raiando
lençol de seda embolado arfando
misturados aos sons, um murmúrio.
Roupas e objectos espalhados
eu e você entre quatro paredes
o vinho, as cerejas e, os prazeres
matrizes do amor ali amados.
Noite que se afunda em protesto
teus lábios aos meus ainda selados
nossos corpos juntos, colados
duas feras em cio brutesco.
Sentindo na pele o amanhecer
do amor restam cheiros, sabores
nas carnes o gozo e tremores
de uma noite boémia de prazer.
Anónimo: net

Empreendedorismo em Veneza

Ao dar uma vista de olhos pela Reuters dei de caras com a seguinte notícia: «Na tentativa de atrair turistas para a cidade dos canais, apesar das inundações causadas pela subida do mar para os níveis mais altos em duas décadas, os hotéis de Veneza, estão a oferecer pacotes especiais "Veneza e a Maré Alta" que vêm com botas de borracha gratuitas, barco de borracha, coletes salva vidas e mapas com rotas alternativas para pedestres durante a temporada de águas altas».
Em Portugal, o que aconteceria perante um cenário como o que se vive actualmente em Veneza?
Deixamos aqui algumas pistas: Fechar-se-ia tudo. Despedir-se-iam trabalhadores. Acusar-se-ia as instituições públicas. Esperar-se-ia por apoios monetários governamentais para fazer fase aos prejuízos. A oposição acusaria o executivo governamental de não ter previsto uma “tragédia” de tais proporções e pedir-se-iam cabeças. Os canais televisivos convidariam os “habituais paineleiros” para opinarem. Etc,.
Em suma o “habitus” português.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Ahtisaari: O Prémio Nobel da Paz 2008

“A situação no Médio Oriente põe em dúvida a credibilidade da comunidade internacional, quem rejeitou por considerar simplista o argumento de que tudo obedece a tensões entre religiões”, já que estas, segundo Ahtisaari, são "amantes da paz" e podem ser uma "força construtiva" no processo de negociações. "Não podemos seguir ano após ano simplesmente fingindo que fazemos algo para melhorar a situação no Médio Oriente. Também é preciso conseguir resultados […] Todas as crises, incluindo a do Médio Oriente podem ser resolvidas. A solução requer uma contribuição das partes envolvidas e da comunidade internacional em conjunto".
Foram estas as palavras que, o ex-presidente da Finlândia, Martti Ahtisaari dirigiu ao mundo logo após receber o prêmio Nobel da Paz 2008.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Hajj (Peregrinação)

Milhões de peregrinos dirigiram-se esta segunda-feira ao Vale de Mina, perto de Meca, para celebrar o tradicional ritual da lapidação de Satã, após a festa do sacrifício.
Esta parte da peregrinação anual dos muçulmanos a Meca costuma ser a mais problemática, com violentas avalanches humanas, devido ao enorme fluxo de peregrinos. Este ano, mais de dois milhões segundo dados oficiais.
Neste ritual, a lapidação de Satã, cada peregrino deve lançar 21 pedras sobre cada uma das três pilastras que simbolizam o diabo - três enormes blocos de concreto armado com 25 metros de altura.
Até ao dia de manhã, os peregrinos sacrificaram cordeiros, para lembrar o quase sacrifício de Isaac, quando Deus mandou que Abraão imolasse o próprio filho como prova de obediência. O ritual marca o início da festa de Al Adha ("Sacrifício").
Concluído o ritual, os fiéis seguem para a Grande Mesquita de Meca, para "uma volta de adeus" em volta da Kaaba, construção cúbica negra na qual está incrustada a Pedra Negra, relíquia sagrada dos muçulmanos.
A peregrinação a Meca é um dos cinco pilares do islão, que todo muçulmano deve fazer pelo menos uma vez na vida, se tiver meios e condições para tal.

Fonte: APF

Arqueologia, Férias na e com a História


Prestes a entrar no mercado nacional, a ArqueoTuris é uma empresa ligada ao ramo do turismo arqueológico que irá proporcionar, Férias sobre a forma de Aventuras Arqueológico / Históricas.
Para mais informações, veja aqui.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Cólera (Zimbabwe)

Crianças recolhem águas estagnadas, em Machipisa (subúrbios de Harare).


Modernidade (Jakarta)



A rápida urbanização dos últimos 20 anos, tem vindo a aumentar os esgotos sem tratamento, na cidade de Jakarta na Indonésia.
Resíduos sólidos urbanos e afluentes industriais, descarregados indiscriminadamente, no rio Citarum, afectam não só a saúde pública, como ameaçam milhões de famílias pobres, cuja única subsistência é a pesca.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Reconhecimento Internacional (Parte2)

Depois de Teixeira dos Santos, mais um reconhecimento internacional para políticos nacionais.
Segundo Joschka Fischer, actual co-presidente do Conselho Europeu de Relações Externas, em entrevista ao El Mundo: «A Europa está mal e se não se lhe dá um empurrão, para uma maior unidade, acabará sentada num canto da mesa. Por isso preocupa-me uma Comissão Europeia fraca como esta. O seu presidente (Durão Barroso) é o mais fraco. Infelizmente, a sua fraqueza será premiada com outro mandato.»

Ensaio sobre a cegueira

Portugal tende a não ter emenda. Tendemos a continuar um país que não se governa... nem se deixa governar. Já no século III a.C., um general romano em carta endereçada ao imperador, quando da conquista da Península Ibérica, escrevia: «Há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho, não se governa nem se deixa governar!»
Protagonistas de uma história prodigiosa em certos aspectos, teima-mos, contudo, em provar que o tal general romano tinha razão. Se tivermos em linha de conta, as notícias do que «agrada» ou «alarma», «estarrece» ou «entusiasma», temos de chegar à conclusão de que somos, de facto, um povo estranho. Muito estranho mesmo...
Quando se faz… foi mal feito ou não serve e… não se apresentam alternativas.
Quando não se faz… devia ter sido feito, mas… não se apresentam propostas.
A um ano das eleições legislativas, a cegueira aumenta a “olhos vistos”.
A saúde, a educação e a justiça continuam a ser as maiores armas de arremesso político em Portugal.
São usadas, na maioria das vezes, sem peso nem medida pela oposição, independentemente do partido que esteja no Governo, com a consciência da importância que qualquer decisão relativa a estes sectores tem junto da população e, consequentemente, dos eleitores.
E assim, este povo estranho… muito estranho mesmo… continua a adiar o seu futuro.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Gerar Consciência: Não desperdice

Na Terra há cerca de 1 360 000 000 km³ de água, mas só 3% são água doce.
Hoje, mais de 2000 milhões de pessoas enfrentam a escassez de água.
Até 2025, esse número deve subir para 4000 milhões, cerca de 50% da população mundial prevista para 2025.A principal mudança passa essencialmente pela alteração dos nossos actuais padrões, indiscriminados, de desenvolvimento, os quais comprometem a segurança do planeta e da população a médio/longo prazo.

A noiva de Babil (Iraque)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O “habitus” português (3)

Eis que, passadas menos de 24 horas, sobre esta verdadeira demonstração de cidadania e solidariedade, e no dia Mundial Contra a Sida, nos confrontamos com o resultado de um outro estudo que nos deve fazer a todos, simples cidadãos, responsáveis políticos e responsáveis de campanhas, reflectir.
Ou seja, volvidos 25 anos sobre o surgimento do HIV/SIDA em Portugal, constata-se a, ainda enorme, existência de falta de informação sobre a doença, e tais resultados não são passíveis de um país que se quer moderno e desenvolvido.
O estudo «A opinião Pública Portuguesa e a Sida - Ultrapassar a Era do Medo», realizado pelo Instituto de Ciências da Saúde (ICS) da Universidade Católica Portuguesa, revela que ainda há um desconhecimento da população face aos comportamentos de risco. Cerca de 77% dos portugueses associa o risco do HIV/ Sida às relações sexuais não protegidas, mas apenas 14% considera que a multiplicidade de parceiros aumenta os riscos de contágio.
Mas, talvez a mais cruel realidade deste estudo seja o facto de cerca de 80% dos inquiridos associar a doença ao medo e este sentimento ser capaz de impedir as pessoas de irem ao médico só para não se confrontarem com eventuais resultados. Isto é, quatro em cada cinco portugueses admitem que o medo do diagnóstico os impede de realizarem os testes para a detecção da doença.
Infelizmente e como sublinha Castro Caldas, director do Instituto de Ciências da Saúde, «é muito próprio da nossa cultura. As pessoas querem ter boas notícias, querem que só aconteça aos outros».

O “habitus” português (2)

No entanto, passadas cerca de 48 horas sobre estas notícias e, em dois dias (29 e 30 de Novembro), conseguimos ser suficientemente solidários para, perante a campanha do Banco Alimentar contra a fome, mostrarmos que é possível viver integrados numa componente de cidadania e solidariedade, e sermos capazes de doar 519 toneladas de produtos alimentares para os mais necessitados.
Neste caso, os portugueses e através de um caso prático, o da campanha do Banco Alimentar Contra a Fome, conseguiu demonstrar que é possível viver nas sociedades actuais, integrando uma componente de cidadania, solidariedade e em luta contra o desperdício. Ou seja, contrariando o espírito consumista e imediatista das sociedades mais desenvolvidas.

O “habitus” português (1)

Portugal continua a ser um país de comportamentos enigmáticos e muito próprios, a que, teimosamente, continuaremos a designar de “nossa cultura”.
No espaço de pouco mais de cinco dias os nossos “sue generis habitus”, têm sido capa de jornais e abertura de noticiários pelos motivos mais paradoxais.
Na passada 5ª feira (27 de Novembro), o resultado de um estudo europeu, onde nos auto-classificámo como o povo, por um lado, mais desconfiado, e por outro lado, dos mais infelizes e insatisfeitos com a vida, do velho continente.
Convém contudo sublinhar, que contrariamente ao que se quis fazer passar, em alguma comunicação social e sectores políticos, estes resultados dizem respeito a um inquérito realizado a nível europeu no período de 2001 a 2005, ou seja, ainda anterior às actuais convulsões económicas que assolam o mundo.
Uma das possíveis leituras a estes resultados, é a da inadequação dos portugueses, como protagonistas e produto, às constantes mutações protagonizadas pela modernidade, onde imperam o consumismo e o imediatismo, os quais não estão acessíveis a todos.